
Tradução da beleza e do papel de Brasília, sempre considerei o Itamaraty como um verdadeiro mito. A cerimônia de abertura da SiNUS 2006, que aconteceu no palácio dia 12 deste mês, foi um misto de sonho e realidade que eu jamais vou esquecer. O lugar é ainda mais belo que nas fotos e estar dentro dele, fazendo parte dele, vivendo ele por inteiro, com toda a caracterização exigida - e aprovada, com muito gosto - traz uma sensação inexplicável de estar fazendo parte do presente, de ser parte desse Brasil.
A tapeçaria, os quadros, a parede trabalhada, os móveis dos séculos XVII e XVIII e os adornos refinados dão a impressão de se estar caminhando dentro de uma obra de arte (o que não deixa de ser verdade). Foi nesse cenário surreal que eu vivi um dos melhores momentos da minha vida. A primeira experiência jornalística, a primeira cobertura, os primeiros momentos de desespero quanto ao prazo (ou melhor, a falta de prazo) e ao foco da matéria. E como disse Gabriel Garcia Márquez: "Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que no minuto seguinte." Comecei a entender o significado deste texto naquele dia.
Pode ser uma comparação estranha, mas o Itamaraty é praticamente a "Meca" brasiliense: todos deveriam entrar lá pelo menos uma vez na vida.
*Agradecimento: Targino, obrigada por ter me mostrado que eu sou uma merda. Acredite ou não, o seu não incentivo foi essencial. x)~
Foto por Linnus.
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