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Friday, October 13, 2006

Sequestro acaba em romance

Foto por Juliana Bravo


Joana das Pernas Longas, moradora da Parede de Tijolos do Tchen, voltava de uma reunião na Sala da Fumaça quando de súbito sentiu-se seguida. Atordoada, correu para sua teia, tendo o perseguidor no encalço. No momento em que parou para descansar, Pernas Longas foi surpreendida por flashes de paparazzi, que imaginavam um possível affair.
No final da madrugada ela desistiu da fuga e foi para casa com o desconhecido, sem prestar queixa a polícia. A família, em princípio preocupada, chegou a cogitar um seqüestro, mas Joana entrou em contato e alegou não haver perigo real.
Na semana seguinte, a revista Oito Patas divulgou fotos do casal nas paredes da vizinhança. Conhecidos afirmam que eles são inseparáveis. Joana nega o caso: “somos apenas bons amigos. Ele me ouve e nunca questiona. Jamais imaginei conhecer alguém tão parecido comigo”. Segundo os amigos, a “amizade” promete.
Dominique Lee, para o Correio Artrópode.

Monday, July 31, 2006

The seamy side of a job






Before my first involvement in a press team, I used to ask myself – like some delegates do – why its members are so joined. I also urged to know why a great number of reporters, not the "presstending" ones from this simulation, are alcoholics, downcast and very stressful. A single day observing our routine answers all of these questions.
Considering that we don’t have a schedule, it is common to find one of us having insomnia at the office or even having lunch when is actually time for dinner – on those lucky days when it is possible to have lunch. During the long and hard way between the office and the printing house, we face the time running, complaining and yelling at ourselves. The article that you are reading right now was planned on Friday and written yesterday. During a press day, everything has to be done by midday, including the designing, which takes a long time – maybe the entire morning. Our Editor-in-chief takes it to the printing house, and process of printing the newspaper takes 4 or 5 hours – if we are lucky. By the was, while I am writing this, a rushed reporter, Mariana Muniz, just fell off the stairs and is lying down on the floor of the hotel’s hall. That’s the seamy side of a job.
As you know, all the efforts do not avoid mistakes. The first edition made the whole press mad, jaded and a little confused: we just could not understand how the errors passed by us without noticing, after all, at least five of us had read that.
These hard days made me believe that suffering join people together. As in the staff, press members became real friends after all these days of work. Besides the fact that it is very tiring, the passion for the job justified all of our nights without sleep. Actually, the smell of a brand new and warm newspaper makes everything worthwhile.







P.S: Da última edição do United News, no AMUN.


Special thanks: Rafael Targino. Quem mais né? ;D

Tuesday, July 18, 2006

compra-se vida modelo.



Eu quero uma casa no campo.
Dessas de madeira, com janelas enormes. Camarote para o espetáculo do amanhecer e anoitecer. Pode anotar também que eu quero ouvir o galo cantar todas as manhãs. Quero um poço artesiano, um córrego nas redondezas, muito mato, cobra, calango.
Eu quero três filhos.
Duas meninas e um menino, dois meninos e uma menina, tanto faz. Quero casa com cheiro de criança, brinquedo espalhado por todos os cantos, muita gritaria.
Eu quero um marido convencional.
Com todos os defeitos convencionais. Roncos, sapatos pela casa, latas de cerveja e futebol são bem vindos. Desses que têm manias esquisitíssimas, TPM masculina e perdem as chaves do carro. Não esquece de incluir “fidelidade”, se não estiver em falta.
Eu quero um monte de parentes intrometidos, agregados folgados e gente inconveniente.
Faço questão de cuidar do almoço de domingo. Ensaio da banda do menino? Pode ser em casa, mamãe prepara um lanchinho!
Eu quero barulho.
Muito jazz, blues, mpb e cantos de chuveiro. Menino aprendendo a tocar gaita, menina no piano, pai na velha guitarra. Papagaio gritando, cachorro latindo, panela de pressão. Pode misturar tudo, por favor.
Pensando bem, manda descer aí a vida que eu não tive. Pago com a minha liberdade. À vista.

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Thursday, June 08, 2006

O Poder das palavras

Atentado terrorista causa pânico e confusão

Atentado à cabeça da menina prova o poder de destruição absurdo das palavras.

Em uma única sentença, sem pontuação ou acentos, a frase chegou fazendo um estardalhaço na cabeça da menina. Eram aproximadamente dez horas da noite quando os olhos, trabalhadores da recepção, foram alertados pela nada agradável mensagem, recusando-se a enviá-la ao Setor de Processamento de Idéias (SPI), já cientes do problema que iria lhes causar. A garota forçou os neurônios a pararem o boicote: “Não senhores! Quero entender o que está escrito aí!”, afirmou ela desesperada. As células aceitaram cabisbaixas, sabendo que se a frase tivesse o efeito esperado, seriam nocauteadas por substâncias sintéticas, moradoras da Caixa da Tarja Preta, Armário da Cozinha. No Setor de Transformação de Idéias em Atos (STIA), todos se confundiram com os comandos simultâneos de “gritar”, “xingar” e “manter a calma”. Conforme previsto pela recepção (olhos direito e esquerdo), a crise no STIA ativou o Setor de Emergências (SE), que convocou o 1º batalhão das lágrimas. Quando percebeu a gravidade da situação, o SE chamou todo o exército, que tumultuou a recepção. O Estado de Guerra perdurou por duas horas consecutivas, até atingir o seu objetivo: o corpo, exausto, se rendeu. Naquela noite a menina dormiu sem sonhar.

Tuesday, May 02, 2006

[inscrição.]


Sei que não tem nada a ver com o blog mas muita gente andou pedindo e resolvi colocar...(também porque esqueci o que escrevi pra postar no armário do colégio).
O "passaporte" para os melhores dias da minha vida...foi com esse texto que entrei pra SiNUS. Detalhe: escrito em no máximo 10 minutos. Assim, sem título mesmo.

Deus anunciou hoje, por intermédio do Papa Bento XVI, que o mundo vai acabar em dois dias. O motivo alegado por Ele para tal decisão foi a substituição de Sua criação por uma mais moderna. Segundo Ele a Terra se encontra em estado obsoleto, com deficiências naturais muito grandes, como o buraco na camada de ozônio e a escassez de água. Além disso, não compensaria consertá-la, pois os seus habitantes são seres incapazes de administrar a criação.
O clero já tentou negociar, mas Deus mostrou-se irredutível. Devido a Sua benevolência, a destruição será rápida e indolor para todos os terráqueos, inclusive os pecadores. A única recomendação, vinda de Sua Mãe Maria, é que se reze o rosário.
O fim acontecerá como o começo, com uma grande explosão, mas dessa vez gerando o nada. O pânico deve ser evitado, pois não haverá possibilidade de salvação no mundo material e todas as questões serão acertadas no Juízo Final, uma espécie de tribunal pós-destruição. Nenhum ser vivo será poupado e a única coisa que os governantes podem fazer, nesse momento, é sentar e rezar.


obs: o pior é que eu nem sabia o que era um lead...olha o targino aí mais uma vez. x)~


Foto: nosso jornal, por nós.

Sunday, April 30, 2006

[Itamaraty.]


Tradução da beleza e do papel de Brasília, sempre considerei o Itamaraty como um verdadeiro mito. A cerimônia de abertura da SiNUS 2006, que aconteceu no palácio dia 12 deste mês, foi um misto de sonho e realidade que eu jamais vou esquecer. O lugar é ainda mais belo que nas fotos e estar dentro dele, fazendo parte dele, vivendo ele por inteiro, com toda a caracterização exigida - e aprovada, com muito gosto - traz uma sensação inexplicável de estar fazendo parte do presente, de ser parte desse Brasil.
A tapeçaria, os quadros, a parede trabalhada, os móveis dos séculos XVII e XVIII e os adornos refinados dão a impressão de se estar caminhando dentro de uma obra de arte (o que não deixa de ser verdade). Foi nesse cenário surreal que eu vivi um dos melhores momentos da minha vida. A primeira experiência jornalística, a primeira cobertura, os primeiros momentos de desespero quanto ao prazo (ou melhor, a falta de prazo) e ao foco da matéria. E como disse Gabriel Garcia Márquez: "Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que no minuto seguinte." Comecei a entender o significado deste texto naquele dia.
Pode ser uma comparação estranha, mas o Itamaraty é praticamente a "Meca" brasiliense: todos deveriam entrar lá pelo menos uma vez na vida.


*Agradecimento: Targino, obrigada por ter me mostrado que eu sou uma merda. Acredite ou não, o seu não incentivo foi essencial. x)~


Foto por Linnus.