Não sei se vou ser desses jornalistas que sobrevivem da desgraça alheia. Mas meu lado escritor se alimenta das minhas próprias desgraças. Quando eu olhei aquele anel ali, no anular, fiquei duvidando se o dedo era meu. E se esta vida era minha. Durmo com um sorriso no rosto, acordo com outro maior. Cadê a dor? Versos sem dor são versos sem cor.
Pensei que nem tinha mais o número. Duas da manhã, seis meses que nem existimos - ou coexistimos. Apertei o botão verde, tarde demais.
- O que aconteceu?
- Nada.
- Como nada?
- To chegando aí, abre a porta.
- O que você ta fazendo aqui?
- Nada.
- Como nada?
- Sonhei com você esses dias...
Pensei que nem tinha mais o número. Duas da manhã, seis meses que nem existimos - ou coexistimos. Apertei o botão verde, tarde demais.
- O que aconteceu?
- Nada.
- Como nada?
- To chegando aí, abre a porta.
- O que você ta fazendo aqui?
- Nada.
- Como nada?
- Sonhei com você esses dias...
- E qual era o gosto?
O gosto era de bile, tilenol, lágrima que não sai. Gosto de erro. O anel brilhando no dedo, a tristeza brilhando nos olhos molhados. Amores certos não dão bons versos, a felicidade é só um clichê que alguém inventou. Prefiro a dor, visto-a de poesia. Mas o poeta é um fingidor.
Traições são bem mais sutis.
O gosto era de bile, tilenol, lágrima que não sai. Gosto de erro. O anel brilhando no dedo, a tristeza brilhando nos olhos molhados. Amores certos não dão bons versos, a felicidade é só um clichê que alguém inventou. Prefiro a dor, visto-a de poesia. Mas o poeta é um fingidor.
Traições são bem mais sutis.
2 comments:
mas escrever coisas triste cansa, e às vezes me faz pensar que não nesse ritmo que a vida deve ser levada.
Eu nunca lí nada tão parecido comigo e com o que eu penso.
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