
Esse era o quinto natal de Rana no Brasil desde que voltara de Fez, e os anos se confundiam no tempo cronológico e psicológico da sua mente – ora parecia ontem, ora parecia que se passara uma eternidade desde que havia deixado a cidade aos prantos, com a mente nas ruínas.
Agora, Rana se tornara uma bela e misteriosa moça de 18 anos, de caminhar silencioso e profundos olhos de amêndoas. A nova rotina não a deixava pensar no que havia perdido, sendo que os últimos quatros anos apagaram as lágrimas do primeiro. A casa dos avós, em uma pequena e charmosa cidade catarinense, era calorosa como as brasileiras.
Tinha amigos, parentes, carinho e conforto, sem o deslumbramento de Fez. Mais que isso, tinha o Pedro. Seu sempre amável Pedro Leiber. Nunca tivera um amigo tão compreensivo, carinhoso e parecido com ela mesma. Na verdade, a amizade de Pedro já batia nas cercas do amor. Todas as tardes, voltando do colégio, estendiam-se sob os ipês amarelos no topo da colina e viam o anoitecer calados, brincando de adivinhar pensamentos. O mero encontro de olhares fazia das palavras não ditas de Pedro as de Rana, e assim desaguavam umas nas outras em um fluxo perfeito. Estava completa, e se alguns diziam que não se encontra a felicidade entre os homens, Rana se julgava abençoada por Alá.
Neste quinto natal no Brasil, porém, soube por um telefonema urgente que sua paz havia acabado. O pai, viúvo pela segunda vez, pedia o retorno da filha mais velha, para que cuidasse do irmão pequeno. Dessa vez, Rana não se atreveu a chorar ou desobedecer. Se é da vontade de Alá que eu passe a vida como as caravanas do deserto, nada posso fazer. Pedro esperava na sala quando Rana saiu do quarto, ainda tonta com a notícia. Sua discrição, porém, impedia que desse sinais de aborrecimento. Cumprimentou-o docemente e foi para a cozinha cumprir seus deveres. Sentiu-se incomodada com o olhar de Pedro, que pela primeira vez não conseguia decifrar por completo. Parecia atordoado e angustiado, como se tivesse um pressentimento. Ou seriam os olhos de Rana que estavam claros demais? Ficaram naquele jogo de esconde-esconde por algum tempo, até que Pedro tomara a atitude que há tanto esperava. O beijo, quente e doce, invadiu seu corpo em uma torrente de sentimentos, estilhaçando todas as armaduras que havia criado. Naqueles poucos segundos, lembrou dos últimos anos, de Hasan, da Kasbah, do pai, da dor. Correu entre os cacos de sua paz e pela primeira vez em quatro anos, chorou, amaldiçoando a sorte que se repetia.
[continua...]
5 comments:
sobre o poema, no pé da página,
quando é que calha dagente se cruzar?
eu sou o deadpoets_ do seu blog, viu?
um abraço, felipe.
a história tah cda ve mais envolvente...
quero saber o q vai acontecer
teadoro
bjus*****
mari
poisé dona nih lee ;D
foi tão agradável ler seu "little romance"
e pensar que eu ja vivi tantas vezes esse amor quase amizade, alias, amizade quase amor;
e que foi assim que eu e minha namorada atual começamos ;D
mas me conte, porque alá entrou na história? você é muçulmana?
um beijo grande ;D
e sabe? quanto você achar que esta perdida, é quase igual achar que nos achamos. hihihih soou confuso, mas se entendeu?
hehehe, e realmente, só agora eu me dei conta que o blog ja tem mais de 2 anos; mas eu raramente posto mais de uma vez por mes ^^"
um beijo!
pobre alemãozinho...
Essa Rana só leva beijo em despedidas, coitada...Adoro a história da Rana, mas adoraria ver uma nova personagem por aqui, também. Finaliza a História de Rana, começa um novo personagem, vai ficar ótimo :D
E Mari, cadê minha visitante que estava virando assídua?..rsrs...Vou por o link do seu blog lá no C.B. hein moça... Beijão..fuis-mes
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