Sunday, October 15, 2006

Rana.



Amaldiçoou três vezes a si mesma quando acordou sentindo os braços fortes que a enlaçavam, intrusos conhecidos. Rana jamais compreendia o poder que aquele corpo exercia sobre o seu, fraco e ofegante. Fosse a bola da vez ou não, lutava com todas as suas forças – quase extintas – contra o pecado que já se tornava cotidiano.
Por Alá! Não rezava e chorava todas as noites pela liberdade e o fim do sentimento que a consumia e a distanciava da verdade divina? Para quê, se no fim do dia teria de ajoelhar e pedir perdão? Como se não bastasse o prometido fogo do inferno, queimava em chamas de dor, lágrimas e desejo com aquele que agora dormia.
O cheiro doce do narguilé ainda era forte, mesmo com a corrente de ar que varria do quarto as lembranças da noite anterior – mais uma entre tantas. Procurou entre cacos e essências amargas suas roupas e os motivos que a levaram para lá. Sempre ficava alguma coisa, um brinco, uma esperança, uma música. Pegou tudo o que pode e saiu sem o beijo de despedida, como já era de costume. Olhando-o pela última vez, jurou a Alá que não voltaria. Já no caminho, soube entre sonhos e lembranças que esquecera algo importante, talvez parte de si.
continua...

2 comments:

Juliana said...

É... faz sentido... FODA!

Kkkkkkkkkkkkkkkk... é, muito mais pra novela... mas eugosto da palavra "conto".
Há de terminar com a Mirella beeeeeeem longe do Eduardo... Na praia, com um outro ego que lhe saia mais barato!!

TE AMO!!!
;**

Anonymous said...

Nikky, seu texto é linear e intenso, duas qualidade muito boas!
Its very passionate too!
Voce é linda, vou retribuir suas leituras omitidas com minha leitura assidua!
Baiser mon amour.